Cientistas criam cérebros ‘in vitro’ para o estudo de autismo e esquizofrenia

Resultado de imagem para cerebro

O estudo do cérebro é complicado por não ter métodos de pesquisa que possam ser aplicados em pessoas. Os animais de laboratório ou tecido morto, compensam essa deficiência de inexistência, enquanto a análise da função cerebral em pessoas é feita por técnicas de imagem não invasivas.

Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford, liderado pelo cientista Sergiu Pasca, conseguiram recriar o cérebro de um feto humano de esferas formadas por neurônios. Com esta nova técnica, os pesquisadores conseguiram um modelo dimensional de células nervosas que podem se desenvolver e ser funcional, permitindo o estudo e o desenvolvimento normal do cérebro humano, para entender doenças como o autismo ou esquizofrenia. A equipe de Pasca, conseguiu desta vez fundir duas dessas esferas com sucesso e observar como as células nervosas migram e se conectam com a outra.

Estes resultados foram publicados no dia 26 de abril na revista Nature. As duas esferas funcionam como dois lobos frontais do cérebro interligados. Neles, as células migram ventralmente na região dorsal do outro lóbulo, que é responsável por estabelecer ligações com outros neurônios e circuitos neurais. Isto é equivalente ao processo que ocorre no cérebro de um feto humano, onde os neurônios que secretam uma substância chamada GABA (que suprime o sistema nervoso central) migram na mesma maneira para integrar-se no circuito do córtex cerebral. “Nós muitas vezes nos referimos a este sistema como uma plataforma modular. Estamos trabalhando na geração de cérebro em 3D que se assemelham a diversas regiões do cérebro humano. Então nos reunimos para estudar circuitos que podem ser relevantes para outras doenças”, disse Pasca.

No trabalho realizado, os pesquisadores partiram de células da pele saudável de humanos, depois a transformaram em células-tronco e em neurônios. Formaram duas esferas com estes neurônios e os fundiram em conjunto. Em seguida, eles estudaram os movimentos das células e suas conexões. No entanto, o estudo foi além. Eles utilizaram exatamente o mesmo processo, foram usadas células da pele de pacientes com síndrome de Timothy, um distúrbio associado com o autismo e epilepsia, para comparar os resultados.

Nestes pacientes, Pasca relatou que eles observaram que os padrões de migração de células, e particularmente de GABA, foram alterados. A descoberta, que é útil como um modelo para entender está doença, mostra a evidência anormal no desenvolvimento do cérebro em pessoas que sofrem dessas anomalias.

Além disso, como algumas variantes do gene que é responsável pela síndrome de Timothy e de outros transtornos como a esquizofrenia ou transtorno bipolar, está pesquisa poderia ajudar a esclarecer essas condições, uma vez que, como suspeita Pasca, nestes doentes a mesma alteração pode ocorrer nos neurônios que secretam GABA durante o desenvolvimento do cérebro.

 

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