Bióloga encontra larva que se alimenta de plástico

A alimentação bastante eclética de alguns seres vivos chamam a nossa atenção para o quanto os animais estão evoluindo em função do equilíbrio da natureza. Nas ruas de Chernobyl, onde houve um dos maiores desastres ambientais do mundo, existem fungos que passaram a se alimentar de radiação. Outro exemplo desse fenômeno que está se tornando cada vez mais comum, é a traça, que se alimenta de roupas, livros, cadernos, entre outros. O mais surpreendente foi a descoberta de uma larva que se alimenta de plástico, pois com ela poderíamos por um fim na poluição de plástico existente no planeta.

O pequeno inseto é uma larva chamada de Galleria mellonella, ou mais conhecida pelo nome de traça-do-favo-de-mel. Essa larva possui uma característica extremamente interessante, ela é capaz de digerir um material altamente poluidor, o polietileno. O resultado dessa digestão é o etileno glicol, que é um tipo de xarope com aspecto doce e também tóxico muito usado em motores de carros como anticongelante nos lugares mais frios.

A descoberta dessa larva aconteceu por meio de um acidente que a bióloga Federica Bertocchini cometeu. Segundo os relatos da pesquisadora, que trabalha no Instituto de Biomedicina e Biotecnologia de Cantábria, localizado na Espanha, ela encontrou uma infestação das larvas de mellonellas devorando o mel e a cera das colmeias de seu quintal, então agrupou todas elas dentro de um saco plástico para acabar com a infestação. O que a bióloga não imaginava era que as mellonellas devorariam o saco.

A bióloga afirmou que quando voltou para pegar as larvas, elas estavam espalhadas no chão e o saco plástico estava cheio de furos, como se fosse um queijo suíço. A surpresa foi tão grande que a bióloga ligou imediatamente para dois colegas pesquisadores da Universidade de Cambridge. Após eles observarem as larvas devorarem o plástico, concluíram que elas não estavam apenas tentando se libertarem, mas estavam se alimentando do plástico.

Os pesquisadores realizaram testes em laboratório com 100 larvas. No total, elas conseguiram devorar cerca de 92 mg de plástico dentro de 12 horas. O tempo e a quantidade foi registrado como um recorde biodegradável. No Japão, foram encontradas bactérias com características parecidas, elas eram capazes de digerir garrafas PET, no entanto, as larvas foram muito mais rápidas e eficientes.

A pesquisadora relata que as larvas podem ter sofrido uma alteração na digestão e tenha desenvolvido a habilidade de digerir plástico. No entanto, ela afirma que a hipótese mais provável seja que elas tenham encontrado uma certa familiaridade no sabor do plástico em relação a cera de abelha. “A cera em si é uma mistura complexa de moléculas, e contém uma ligação química que também está presente no polietileno”. A bióloga relata: “Deve ser por isso que ela evoluiu um mecanismo molecular para que brar essa ligação.”

 

 

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