O impacto da Operação Carne Fraca no faturamento do mercado frigorífico

Foi deflagrada na sexta-feira (17) a operação da Polícia Federal intitulada “Carne Fraca” que teve como objetivo a averiguação de eventual prática de crime de corrupção por agentes públicos federais no âmbito do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram cumpridos 309 mandados judiciais em seis estados e no Distrito Federal na manhã de sexta feira (17) pela Polícia Federal, que apura se frigoríficos vendiam carne vencida no Brasil e no exterior, além do uso de produtos químicos para alterar o aspecto físico da mercadoria.

As ordens para os mandados foram expedidas pela 14a Vara de Justiça Federal de Curitiba por meio da decisão do juiz federal Marcos Josegrei da Silva. Após a veiculação pela imprensa o mercado reagiu negativamente. A repercussão das investigações colocou em questão o problema da credibilidade da carne brasileira no mercado nacional e internacional, uma vez que os principais frigoríficos brasileiros exportadores estão no alvo das investigações.

São 21 empresas envolvidas em fraudes no sistema de inspeção sanitária. O setor produtor e o Governo brasileiro temem o impacto negativo sendo que os principais clientes estrangeiros já se posicionaram diante do problema acancelando a compra de carne de origem brasileira. Chega a quarenta o número de países que embargaram o produto até quarta-feira (22). A União Europeia e Suíça, China, Egito, Hong Kong, Chile indicaram bloqueio. A Coreia do Sul havia bloqueado, porém, decidiu reverter a decisão. Países da Comunidade do Caribe, como Jamaica, Trinidad e Tobaco, Bahamas e Barbados anunciaram embargo temporário. Segundo o Comitê Europeu, destas vinte e uma empresas envolvidas, quatro exportavam para países europeus. Entre as empresas investigadas constam os nomes de grupos líderes de mercado, como por exemplo, os grupos JBS (dono das marcas Friboi e Seara) e BRF S.A. (dono das marcas Sadia, Perdigão, Swift). Dos 21 frigoríficos investigados, três foram interditados e os outros dezoito tiveram suas licenças suspensas para exportação.

Segundo notícia disponibilizada pela Folha de S. Paulo, terça-feira (21) o total de vendas de carnes registrado foi de US$ 63 milhões por dia a US$ 74 mil, evidenciando uma queda espantosa. Segundo o Ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, o prejuízo chegará a números “estratosféricos”, podendo atingir US$ 1,5 bilhões por ano no decorrer das investigações, disse em audiência conjunta das Comissões de Agricultura e de Assuntos Econômicos do Senado, quarta (22). Nesta ocasião o Ministro defendeu o sistema brasileiro de controle sanitário salientando que as irregularidades foram pontuais e localizadas, que apoia as investigações e que está tomando todas as providências para resolver o problema nas superintendências responsáveis em verificar a qualidade da carne, com especial atenção para os estados do Paraná e Goias.

 

 

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